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Privacidade radical

Dois níveis, uma só promessa.

A Cashfulness foi construída para não saber nada sobre ti. Não por princípio político, mas por opção técnica. Para os teus documentos, cifragem ponta a ponta. Para a tua identidade e os teus dados contabilísticos, anonimização ao máximo.

A maior parte das apps gratuitas não são gratuitas: são-te oferecidas em troca dos teus dados. É uma troca em princípio transparente e, em muitos casos, vale a pena fazê-la.

Também muitas apps de finanças pessoais funcionam assim: dão-te uma ferramenta de registo e, em troca, agregam os teus dados de despesa para produzir relatórios, recomendações e parcerias comerciais.

A Cashfulness fez uma escolha diferente, porque acreditamos que as finanças pessoais merecem outro tratamento. A calma de que falamos, se os dados não estiverem seguros, é uma promessa vazia.

O primeiro nível protege os documentos que trazes para a app, com cifragem ponta a ponta radical. O segundo nível protege a tua identidade e os teus dados contabilísticos, com anonimização ao máximo. Vale a pena explicá-los um de cada vez.

Uma nota prévia

Porque é preciso ligação

A Cashfulness só funciona se o teu dispositivo estiver online. No computador ou no telemóvel, a app tem de conseguir falar com uma base de dados remota que vive nos nossos servidores (infraestrutura europeia).

Porquê esta escolha? Porque os teus dados contabilísticos têm de ficar sincronizados entre os vários dispositivos que usas. Se acrescentas uma transação a partir do smartphone à hora de almoço, queres revê-la à noite no portátil. Sem um ponto de verdade centralizado, os dados divergiriam sistematicamente entre os clientes.

Portanto sim, a tua contabilidade passa por um servidor remoto. Não é uma renúncia à privacidade: é a condição técnica necessária para te dar uma contabilidade que funciona mesmo em vários dispositivos. A pergunta interessante passa a ser: como protegemos a tua privacidade dada esta condição? A resposta está nos dois níveis que te contamos a seguir.

Nível 1

Cifragem ponta a ponta radical para os documentos

Quando começas a usar a Cashfulness, mais cedo ou mais tarde vais querer trazer para dentro da app os teus documentos: extratos bancários, contratos de crédito ou de arrendamento, faturas, apólices, certificados de investimento. Contêm de tudo: nome completo, morada, número de contribuinte, IBAN, montantes, contrapartes.

Para eles fizemos a escolha mais restritiva possível: cifragem ponta a ponta (E2EE).

Imagina que queres enviar uma carta por estafeta. Podes pô-la num envelope normal — o estafeta pode abri-lo, ler a carta e voltar a fechá-lo. Ou podes fechá-la numa caixa de metal que só abre com uma chave específica, que só tu tens. Mesmo que o estafeta levasse a caixa, não a conseguiria abrir.

Os teus documentos na Cashfulness são a caixa de metal. O teu dispositivo cifra-os antes de os enviar para o servidor. No servidor chegam e permanecem cifrados: para nós são blocos de ruído digital.

A chave para os decifrar vive apenas no teu dispositivo, derivada da tua palavra-passe pessoal e das tuas 24 palavras de recuperação (a seed phrase, o padrão mais sólido hoje disponível para gerar chaves criptográficas pessoais).

Como funciona a cifragem dos documentos

Uma viagem em duas etapas.

extrato-bancario.pdf
Carregas um documento
AES-256
A chave, no teu dispositivo
Cifrado no teu dispositivo
HTTPS
7f3a9d2c8e1b4f76a02e8c4d
No servidor, só ruído

O reverso da medalha, e queremos ser honestos

Se perderes a palavra-passe e perderes também as 24 palavras de recuperação, os teus documentos tornam-se ilegíveis até para ti. Para sempre. Não os podemos recuperar, porque tecnicamente não conseguimos ler aquilo que cifraste. É uma opção de filosofia: preferimos dar-te o controlo inteiro, mesmo com o peso de guardares as tuas credenciais, a manter uma cópia de segurança no nosso servidor.

Nível 2

Anonimização ao máximo para a identidade e os dados contabilísticos

Os dados contabilísticos (números, contas, categorias, movimentos) são uma estrutura viva de que precisas todos os dias. Cifrá-los da mesma forma que os documentos tornaria a app lentíssima e, em muitos casos, inutilizável.

A nossa resposta não é a cifragem absoluta. É a anonimização ao máximo.

A Cashfulness nem sequer quer saber como te chamas. Quando te registas, não pedimos nome e apelido: pedimos um nickname (o que tu quiseres, mesmo de pura fantasia), um e-mail para contactos técnicos e uma palavra-passe. Sem número de contribuinte, data de nascimento, morada, número de telefone, ligação à tua conta bancária ou verificação de identidade.

Os nomes que dás às tuas contas és tu que os decides: descrevem uma função ("Salário", "Conta à ordem principal", "Crédito da casa"), não a tua pessoa. Combinados com o nickname, tornam a tua contabilidade difícil de compreender e impossível de ligar a ti por quem não sejas tu.

Mesmo que alguém pudesse olhar para a base de dados do lado do servidor, veria um certo nickname com um plano de contas, saldos e movimentos. Não saberia de quem se trata. Veria uma contabilidade sem biografia.

Também o pagamento é anónimo (para nós)

Para as subscrições da Cashfulness não te pedimos cartão de crédito, IBAN ou dados de faturação diretamente. O pagamento passa pela loja onde transferiste a app: App Store (Apple) ou Google Play (Google) nas versões móveis, Stripe nos pagamentos feitos a partir do site.

São essas entidades terceiras que veem o teu nome, morada, cartão de crédito ou IBAN — porque, tecnicamente, são elas que recebem. É a elas que, por norma, cabe a emissão de faturas ou recibos relativos à tua subscrição.

A Cashfulness, do outro lado desse tubo, recebe apenas o valor líquido e um identificador opaco da subscrição (algo do género sub_abc123). Nunca vemos o nome do cliente, o número de contribuinte, o cartão de crédito nem o IBAN.

Algumas sugestões práticas para te manteres mesmo anónimo

O anonimato não é só uma promessa nossa: é também um pequeno gesto teu. Se queres que a tua contabilidade seja incompreensível para quem não sejas tu, aconselhamos-te a:

  • Dá às contas o nome da sua função, não o de uma pessoa
    "Conta do banco", "Salário", "Crédito da casa", "Conta conjunta" funcionam bem. "Conta do João Silva" ou um IBAN por extenso no título abrem uma brecha desnecessária.
  • Deixa as descrições das transações naturalmente genéricas
    Por natureza já o são: "pequeno-almoço no café", "jantar no restaurante", "combustível". Ninguém além de ti perceberia se aquele jantar foi em Lisboa com um cliente ou no Porto com a tua irmã.
  • Usa um e-mail pseudónimo no registo
    O teu e-mail serve apenas para iniciares sessão e para receberes comunicações de serviço. Serve perfeitamente um pseudónimo do género aurora.da.noite@protonmail.com ou qualquer outro que te dê jeito.
O que daí decorre

As escolhas difíceis. Vale a pena sermos explícitos.

Medimos a utilização de forma anónima e agregada — nunca para te traçar um perfil

Para perceber o que funciona, medimos que páginas do site são lidas e que funcionalidades da app são usadas. Sempre de forma anónima e agregada, nunca ligada à tua identidade real. No site usamos o Umami: sem cookies, sem fingerprinting, sem rastreio entre sites. Na app: nenhum serviço terceiro (sem Google Analytics, Mixpanel, Amplitude, Sentry, Firebase), tudo nos nossos servidores Supabase europeus, desativável a qualquer momento nas definições (Programa de Melhoria, opt-out). Sem perfilagem comercial, sem correlação entre utilizadores, nunca.

Sem recomendações comerciais personalizadas

Não te dizemos "outros utilizadores como tu compraram X". Não te empurramos produtos de parceiros patrocinados com base nos teus números. O que fazemos são indicações educativas sobre os teus dados, calculadas no teu dispositivo quando a natureza dos dados o exige. A Cashfulness não dá conselhos de investimento personalizados: isso é território dos consultores financeiros registados.

IA rigorosamente conforme aos dois níveis

Nos documentos, os processamentos de IA que exigem ler o conteúdo acontecem no teu dispositivo, sobre uma cópia decifrada local. Nos dados contabilísticos, os eventuais processamentos do lado do servidor correm sobre números sem qualquer identidade pessoal.

Sem venda de dados agregados atribuíveis a pessoas

Não podemos vender "conjuntos de dados de despesas dos portugueses por escalão etário e residência". Os dados pessoais não os temos. Eliminámo-los deliberadamente do modelo de negócio. Para nos sustentarmos vivemos apenas das subscrições diretas dos utilizadores.

Notificações e newsletter: só se as quiseres, nunca por omissão

O facto de sermos alérgicos à perfilagem comercial não significa que sejamos uma plataforma muda.

A Cashfulness pode enviar-te coisas úteis — e quando dizemos "úteis" queremos mesmo dizer para ti, não para terceiros: alertas se um orçamento está prestes a estourar, sugestões sobre onde os teus números indicam que poderias poupar, uma newsletter periódica breve com reflexões educativas.

Tudo isto é opt-in: ativa-lo tu no registo ou depois, quando quiseres, e desativa-lo quando quiseres. Nenhuma caixa está assinalada por omissão. O teu e-mail — mesmo pseudónimo — serve-nos apenas para te entregar aquilo que pediste, não para te perseguir com mensagens que não quiseste.

Esta é a promessa, resumida numa frase que gostaríamos que ficasse.

A Cashfulness não sabe quem és, não lê os teus documentos, não compreende os teus números. Só tu tens todas as chaves.
— Vittorio
Perguntas honestas

Não. Os documentos que carregas são cifrados ponta a ponta com uma chave que vive apenas no teu dispositivo. No servidor chegam e permanecem cifrados. Nem nós, nem quem gere a infraestrutura, nem um eventual atacante. Mesmo uma autoridade que os pedisse formalmente receberia ruído.

Do lado do servidor vemos números associados a um nickname, sem nome e apelido reais. É uma contabilidade sem biografia: para quem olhasse para a base de dados, seria impossível ligar esses números a uma pessoa real.

Para os documentos cifrados ponta a ponta, ficam perdidos para sempre — também para nós. Não existe uma "recuperação de palavra-passe por e-mail" que os devolva, porque tecnicamente não os conseguimos ler. É o reverso da medalha do controlo inteiro.

Nada que te possa identificar. O pagamento passa pela App Store, pelo Google Play ou pela Stripe — são eles que veem o nome, o IBAN, o cartão. A Cashfulness recebe apenas o valor líquido e um identificador opaco da subscrição. As faturas ou recibos são emitidos pela loja, não por nós.

No site usamos o Umami: sem cookies, sem fingerprinting, sem rastreio entre sites. Mede visitas, origens, páginas e interações de forma anónima e agregada — os IP não são guardados, servem apenas para deduzir o país e depois são descartados. Na app: nenhum serviço terceiro (sem Google Analytics, Mixpanel, Amplitude, Sentry, Firebase). Aquilo que medimos — erros, desempenho, sessões, uso das funcionalidades — fica nos nossos servidores Supabase europeus, de forma anónima e agregada, desativável nas definições (Programa de Melhoria, opt-out). Única exceção técnica sempre ativa: o sistema regista o IP das sessões de início de sessão por razões antiabuso — é a proteção mínima para defender a tua conta. Para a lista completa dos serviços de infraestrutura (alojamento, e-mail, pagamentos, etc.), consulta a nossa política de privacidade.